quinta-feira, 29 de março de 2012

“La Niña de Guatemala”


Eran de lirios los ramos,
Y las orlas de reseda
Y de jazmín: la enterramos
En una caja de seda.

...Ella dió al desmemoriado
Una almohadilla de olor:
El volvió, volvió casado:
Ella se murió de amor.

Iban cargándola en andas
Obispos y embajadores:
Detrás iba el pueblo en tandas,
Todo cargado de flores.

...Ella, por volverlo a ver,
Salió a verlo al mirador:
El volvió con su mujer:
Ella se murió de amor.

Como de bronce candente
Al beso de despedida
Era su frente ¡la frente
Que más he amado en mi vida!

...Se entró de tarde en el río,
La sacó muerta el doctor:
Dicen que murió de frío:
Yo sé que murió de amor.

Allí, en la bóveda helada,
La pusieron en dos bancos:
Besé su mano afilada,
Besé sus zapatos blancos.

Callado, al oscurecer,
Me llamó el enterrador:
¡Nunca más he vuelto a ver
A la que murió de amor!

José Martí

12- Climax e por aí vai

Seus dedos finos estavam se enrolando nos meus pelos do peito. Eu a abraçava extasiado. Eu faria qualquer coisa por essa mulher. Eu estava muito envergonhado por ser tão pobre e tosco. Se eu quisesse me casar com ela (e queria) eu tinha que trabalhar, conseguir dinheiro, para comprar uma casa boa e bonita, para quando, quem sabe, nós tivéssemos filhos eu pudesse sustentá-los, dar-lhes uma boa educação, para que não passassem por isso quando conhecerem o amor da vida deles.

Sentia que poderia trabalhar direto, todos os dias da semana, só para ter uma hora, domingo à noite, para quando chegar em casa, ver ela. Te-la para si, como estava naquele momento. Acariciei as suas costas com a ponta dos dedos. Ela tinha uma pele tão macia. Tão perfeita, tão branquinha. Chegava a ser feia a comparação entre a minha mão, morena, seca e áspera com aquela pele de Afrodite. “Sua pele parece um pêssego” eu disse para ela. “Doce e com pelinhos?” ela perguntou , ironizando. Eu sorri e apertando-a mais um pouco contra mim respondi “Aveludada”. Ela não me respondeu nada. Ambos suspiramos. “A propósito, eu ainda não sei o seu nome” ela subiu até ter os olhos na altura dos meus “ Você não precisa saber. Eu não preciso ter nome. Basta dizer que sou toda sua. E que eu serei para sempre.” Nos beijamos.

Um beijo era mais doce que outro. Parece que as semelhanças dela com um pêssego eram sim, mais que uma. Mordi meu lábio quando o beijo se encerrou. Ainda podia sentir os lábios dela nos meus. Tudo nela era perfeito, até mesmo o cheiro que ela exalava era doce e suave.

Ela levantou por um estante da cama. “ Vou lavar o rosto” Ela disse, e foi andando até o banheiro. Eu tive vontade de levantar e ir com ela, mas sabia que isso seria idiota. O jeito era esperar ela voltar. Escutei o ranger agudo da torneira, depois a água saindo de dentro. Espero que a água não esteja enferrujada. Tomara que não esteja. Escutei o ranger novamente. Ela voltou. Deveria eu perguntar sobre a água? Ou fingir que minha água nunca foi enferrujada?

Esqueci o que eu estava pensando, momentaneamente, quando ela deitou em cima de mim novamente. Abracei-a. Porque sempre tinha que ficar longe de mim?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Atual Return to Sender (Elvis Preslay)

Eu estava no mundo da lua
E fui te ligar essa tarde
porque senti saudade sua
Porque você está em marte

"Sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa de mensagens"
E eu foi aquela decepção
"estará sujeita a cobrança após o sinal"
Um dorzinha no coração
Você não atende, afinal

Achei que você estava ocupado
você não podia agora
puis o celular de lado
Decidi ligar outra hora

O tempo passou
eu fiquei preocupada
você se deu mal ou,
fez uma puta mancada

"Sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa de mensagens"
E eu foi aquela decepção
"estará sujeita a cobrança após o sinal"
Um dorzinha no coração
Você não atende, afinal

Eu achei meio suspeito
E enviei um pequeno sms
E senti uma dor no peito
Se você ao menos respondesse...

Agora eu vou esperar pra te ver pessoalmente
e te por contra a parede
Porque, sinceramente
ninguém aqui te entende!

"Sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa de mensagens"
E eu foi aquela decepção
"estará sujeita a cobrança após o sinal"
Um dorzinha no coração
Você não atende, afinal

sábado, 24 de março de 2012

Coração dominando o cérebro

Um grito de agonia
A ordem de volver
um murmurio "não"
e o congelar das horas
É a hegemonia
do gatilho do revolver
e o dedo da minha mão
apontando para as têmporas